ORIGEM DA TEORIA NEOCLÁSSICA

 

A Teoria Neoclássica surgiu na década de 1950 diante de um novo contexto de crescimento exacerbado das organizações e problemas administrativos decorrentes da época. Enfatiza a preocupação dos administradores (empresários, diretores e, principalmente, gerentes) em dar organização a uma série de modelos e técnicas administrativas.

A Teoria Neoclássica, tratada por Chiavenatto, retoma os aspectos discutidos na Teoria Clássica, que são revistos e atualizados dentro de um conceito moderno de Administração, conciliando esta abordagem com contribuições importantes de Teorias subseqüentes.

"Apesar da profunda influência das ciências do comportamento sobre a teoria administrativa, os pontos de vista dos autores clássicos nunca deixaram de subsistir. Malgrado toda a crítica estruturalista e behaviorista aos postulados clássicos, bem como ao novo enfoque da administração como um sistema aberto, verifica-se que os princípios da administração, a departamentalização, a racionalização do trabalho, a estruturação linear ou funcional, enfim, a abordagem clássica nunca foi totalmente substituída por outra abordagem, sem que alguma coisa fosse mantida. Todas as teorias administrativas se assentaram na Teoria Clássica, seja como ponto de partida, seja como crítica para tentar uma posição diferente, mas a ela relacionada intimamente." Chiavenatto, p.223 (1993).

 
CARACTERÍSTICAS PRINCIPAIS DA TEORIA NEOCLÁSSICA
 

ADMINISTRAÇÃO COMO TÉCNICA SOCIAL

O ponto fundamental da Teoria Neoclássica é o de considerar a Administração como uma técnica social básica. Pois, deste modo, o administrador, além de conhecer os aspectos técnicos e específicos de seu trabalho, o administrador também desenvolve os aspectos relacionados com a direção de pessoas dentro das organizações.
 

COMPARATIVO ENTRE TEORIAS CLÁSSICA, RELAÇÕES HUMANAS E NEOCLÁSSICA
ASPECTOS PRINCIPAIS
 
ABORDAGENS PRESCRITIVAS E NORMATIVAS DA ADMINISTRAÇÃO
TEORIAS CLÁSSICA
RELAÇÕES HUMANAS
NEOCLÁSSICA
  • Abordagem da organização
  • Conceito da organização 
  • Principais representantes 
  • Característica básica da administração 
  • Concepção do homem 
  • Comportamento organizacional do indivíduo 
  • Ciência mais relacionada 
  • Tipos de incentivos 
  • Relações entre objetivos organizacionais e objetivos individuais
  • Resultados almejados
  • Organização formal exclusivamente
  •  Estrutura formal como conjunto de órgãos, cargos e tarefas 
  • Taylor, Fayol, Gilbreth, Gulick, Urwick, Mooney, Emerson, Sheldon 
  • Engenharia humana/ engenharia de produção 
  • Homo economicus 
  • Ser isolado que reage como indivíduo (atomismo Tayloriano) 
  • Engenharia 
  • Incentivos materiais e salariais 
  • Identidade de interesses.
  • Não há conflito perceptível 
  • Máxima eficiência 
  • Organização informal exclusivamente 
  • Sistema social como conjunto de papéis sociais 
  • Mayo, Follet, Dubin, Roethlisberger, Maier, Cartwright, French, Zalesnick, Tannenbaum, Lewin, Viteles, Homans 
  • Ciência natural aplicada 
  • Homem social 
  • Ser social que reage como membro de grupo 
  • Psicologia social 
  • Incentivos sociais e simbólicos 
  • Identidade de interesses. 
  • Todo conflito é indesejável e deve ser evitado 
  • Máxima eficiência 

  •  
  • Organização formal e informal 
  • Sistema social com objetivos a serem alcançados racionalmente 
  • Drucker, Koontz, Jucius, Newmann, Odiorne, Humble, Gelinier, Schleh, Dale 
  • Técnica social básica
  • Homem organizacional e administrativo 
  • Ser racional e social voltado para o alcance de objetivos 
  • ndividuais e organizacionais 
  • Ecletismo 
  • Incentivos mistos 
  • Integração entre objetivos organizacionais e individuais 
  • Eficiência ótima
  •  

    DECORRÊNCIAS DA ABORDAGEM CLÁSSICA E NEOCLÁSSICA
     
    A Teoria Neoclássica surgiu da necessidade de se utilizarem os conceitos válidos e relevantes da Teoria Clássica, porém sem os exageros e distorções desta, condensando-os com outros conceitos, também relevantes, de outras teorias administrativas, ao longo das três últimas décadas.

    A Teoria Neoclássica concebe a Administração como um processo de aplicação de princípios e de funções para o alcance de objetivos.

    As decorrências da Teoria Neoclássica, segundo Chiavenato, são três:

    * Quanto ao Processo Administrativo (Planejamento, Organização, Direção e Controle);

    * Quanto aos Tipos de Organização (Características Básicas da Organização, Formal, Organização Linear, Organização Funcional, Organização Linha "Staff", Comissões);

    * Quanto a Departamentalização (Tipos de Departamentalização, Escolhas de Alternativas de Departamentalização, Apreciação Crítica da Departamentalização).

     
    ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVOS

    Conceito:
    A Administração por objetivos ou administração por resultados constitui hoje em dia uma estratégia administrativa bastante difundida e plenamente compatível com o espírito pragmático e democrático da teoria neoclássica.

    Segundo Drucker
    "Toda empresa deve criar uma verdadeira equipe e reunir esforços individuais num esforço comum. Cada membro da empresa contribui com uma parcela diferente, mas todos devem contribuir para a meta comum. Seus esforços devem ser exercidos numa só direção e suas contribuições devem combinar-se para produzir um resultado ótimo - sem lacunas, sem atritos, sem a desnecessária duplicação de esforços.
    O modelo de gerenciamento que temos agora é o da ópera. O maestro conta com um grande número de grupos diferentes que ele precisa reunir. Os artistas, o coral, o corpo de baile, a orquestra - todos têm de atuar juntos, a partir de uma partitura estabelecida de forma comum.
    A Administração por Objetivos exige grande esforço e instrumentos especiais, pois, numa empresa, os executivos não são automaticamente dirigidos para o objetivo comum."

    Características:

    Eficácia - Segundo Drucker o conceito de "Missão da organização" é uma das grandes inovações da ApO frente aos clássicos, uma vez que as premissas adotadas antigamente destoam cada vez mais da realidade, exigindo evolução constante. Não se trata apenas de vender produtos, porém afirmar para quê e porquê. "O maior desperdício é fazer de maneira eficiente aquilo que não é necessário".

    Eficiência - uma das inovações da ApO está ligada a autonomia das equipes para distribuição das tarefas onde cada subdivisão se preocupa com o "como", desde que haja o alinhamento entre a meta dos funcionários e da organização de modo que maximize a produção individual, atingindo maior eficiência global.

    Dinâmica do Sistema

    Ciclo do PDCA: Planejamento(estratégico e tático), Execução (DO), Controle e Avaliação.
     
    Cada uma das funções do administrador (planejamento, organização, direção e controle), vistas separadamente, não passam de funções administrativas. Porém, quando vistas como um todo, formam o processo administrativo.

    1. Planejamento - O planejamento é a função administrativa que serve de base para as demais. Estabelece o conjunto de objetivos entre a Diretoria e os gerentes de modo a definir a meta da empresa (planejamento estratégico). Resultando disso a atribuição de alvos a serem atingidos pelas partes (planejamento tático). Basicamente a ApO está fundamentada no estabelecimento de objetivos por posições de gerência, estes interligados e direcionados para a Missão da empresa.

    2. Execução - Basicamente, do ponto de vista operacional, a ApO se diferencia das demais teorias por buscar eficiência a partir da valorização dos funcionários de todas as camadas, onde é incentivada a participação desde a Diretoria até o chão de fábrica. Nesse sentido as melhorias partem tanto dos funcionários (tratados como sócios), como dos profissionais de staff.

    3. Controle - A ApO trabalha com alvos quantificados, pois a análise dos resultados permite avaliar o progresso. O controle é a ferramenta que assegura que a execução vai ao encontro do que foi estabelecido no planejamento. Outro aspecto a ser ressaltado é o fato de o controle não ser apenas punitivo, mas possibilitar que feedbacks sejam fornecidos, servindo como referenciais ao longo do processo.

    4. Avaliação - permite uma forma de revisão regular do processo através da avaliação dos objetivos alcançados, e proporcionando informações para o estabelecimento de novas metas a serem atingidas no planejamento seguinte. É o momento de reavaliar o ambiente e a validade das premissas iniciais.

    FORMULAÇÃO DE UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO (PE)

    Através da metodologia de PE, busca-se a determinação de onde se quer chegar e como ou o que fazer para alcançar uma situação desejada. As fases básicas para a elaboração e implementação do Planejamento Estratégico podem ser as seguintes:

    Fase I - Diagnóstico Estratégico

    Fase II - Definição dos Referenciais Estratégicos

    Fase III - Objetivos, Metas e Estratégias

    Fase IV - Quantificação Física e Financeira

    Fase V - Controle e Avaliação
     

    CRÍTICAS À APO

    I - Levinson: A pressão exercida sobre os gerentes. Compara os gerentes da ApO a cobaias de laboratório, tendo a sua frente apenas duas opções: acertar o caminho para o labirinto e comer, ou errar e passar fome.

    II - Lodi: A ApO tende a exigir muito de cada um e isto pode gerar hostilidades, irritações, perda de clientes, individualismo e falta de cooperação. A premiação por merecimento pode gerar uma corrida pelas metas e estratégias de curto prazo em detrimento dos objetivos de longo prazo da organização.

    III - Outras Críticas: falta de conhecimento do modelo de planejamento; objetivos traçados superficialmente sem o comprometimento de todos. Elaboração de planos de gabinete, sem o envolvimento da cúpula diretiva da organização.

     
    Bibliografia
    Revista Exame, Fevereiro 1999.
    Chiavenatto