Disciplina FUNDAMENTOS DA TEORIA ORGANIZACIONAL

PROF: LUIS ROQUE KLERING

PAPER 4

DATA: 17.04.2000

Aluno: Vera Susana Lassance Moreira

Gerencialistas Barnard - Mary Parker Follett - Teoria das Relações Humanas

A teoria das Relações Humanas com seu expoente em Elton Mayo trouxe a ênfase do estudo da administração para as pessoas. Diferente das teorias anteriores no tempo que enfocaram a estrutura e a máquina, percebeu que existia além da máquina um universo a ser descoberto relacionado ao comportamento humano e sua influência nos processos organizacionais.

A percepção da força do grupo informal, resultado das experiências de Hawthorne, fez com que logo depois de Taylor , surgisse com força a psicologia Industrial e a fisiologia para aperfeiçoar métodos de seleção, adestramento e motivação no trabalho.

Segundo Braverman (1987, p.125):"o aspecto básico dessas diversas escolas e das correntes no seio delas é que diferentemente do movimento da gerência científica, não se interessam mais, em geral, pela organização do trabalho, mas pelas condições sob as quais o trabalhador pode ser induzido a cooperar no esquema de trabalho organizado pela engenharia industrial."

A pesquisa de Mayo, concluiu que a motivação não pode ser compreendida em base puramente individual e a chave do comportamento reside no grupo social, e no enfoque das relações humanas centrava-se a atuação da psicologia e ciências sociais no aconselhamento de pessoal e nos estilos de liderança através da insinuação ou de não irritação, e da administração face a face. Todas maneiras de ajustamento a um padrão de cooperação desejado que viesse a contribuir com o modo de produção vigente.

Algumas das conclusões do experimento de Mayo foram determinantes para o desenvolvimento de técnicas psicológicas que visam a manipulação do comportamento dos indivíduos e sua cooperação "voluntária". Algumas das conclusões significativas dos experimentos são:

O desenvolvimento de estudos do comportamento humano no que se refere a motivação, liderança, cooperação, grupos e comunicação reiteram a importância do desenvolvimento de um controle gerencial que se fundamentasse nas técnicas de relações humanas, mais do que no controle físico e punitivo dos indivíduos.

Sem dúvida, essa tecnologia colocada a serviço do corpo gerencial potencializa a capacidade de controle do capital sobre o empregado, gerando uma percepção apenas velada de como este controle está sendo feito. A imposição é feita de forma sutil e baseada em técnicas desenvolvidas de manejo de grupos e outras.

No livro de Barnard fica evidenciada a necessidade de conhecimento de ser humano para se atingir melhores resultados gerenciais. É claro que há o reconhecimento de que o fator humano implica em maior complexidade do que o mecânico, porém o desejo de controle expressa-se constantemente sendo verbalizado como sendo uma das funções da gerência. Para Barnard, (p.41) " Parte da desordem do campo industrial, penso eu, resulta da inabilidade em conciliar, quer intuitivamente, quer por outros processos, concepções das posições sociais ou pessoais dos indivíduos, em situações concretas". O autor também reforça que as pessoas diferem quando consideradas como participantes de sistemas assumindo funções e de certa forma assumem a identidade do grupo. Quando forma dos sistemas são indivíduos únicos.

Esta idéia nos faz acreditar também que o desvio do indivíduo de um processo cooperativo o retira automaticamente do sistema, é fácil atribuir então o seu desajustamento a questões psicológicas individuais rejeitando o aprofundamento de fatores sociais.

Estas questões fizeram da psicologia nas empresas um elemento a mais de ajustamento e adaptação que corroborava ou corrobora ainda com a manutenção dos sistemas diagnosticando os "desajustados" e excluindo-os do processo se necessário de forma legítima.

A visão de Mary Parker Follett traz mais evidente a complexidade das relações humanas evidenciando seu aspecto dinâmico através da idéia de resposta circular. Ela diz que : estamos criando um ao outro o tempo todo, coloca também o fato social como elemento ativo da situação global interferindo nos sujeitos envolvidos, passando a idéia de movimento constante.

A partir desta visão dedica-se a trazer a tona o conflito, transformando em algo absolutamente natural às relações humanas e que depende de habilidades específicas na sua condução.

"Uma vez que o conflito se encontra no mundo e que não podemos evitá-lo, deveríamos, penso eu, utilizá-lo. Em vez de condená-lo deveríamos fazer com que trabalhasse a nosso favor. Por que não ?"(p.71)

Na realidade a visão da autora traz a luz o que era anteriormente negado, porém, ainda assim, rejeita qualquer possibilidade de ruptura decorrente do conflito, mantendo uma visão positivista e o controle do conflito através da dominação, conciliação e integração colocam na mão dos gestores mais um instrumento de manutenção, que pela sutileza fica quase imperceptível.

Sem dúvida a tecnologia gerencial que hoje serve nas organizações teve seus alicerces nestas abordagens teóricas.

BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista. Rio de Janeiro, Guanabara, 1987.

FOLLETT, Mary Parker. Profeta do gerenciamento. Rio de Janeiro, Qualitymark, 1997.

BARNARD, Chester. As funções do executivo. Rio de Janeiro, Atlas, 19..